terça-feira, 7 de abril de 2009

O Novo Início

Finalmente, ele estava livre. Depois de trinta longos anos preso por homicídio, Martin podia respirar novamente o ar poluído e caminhar sobre a calçada do centro urbano de Nova York. Ele mal acreditara no que seus olhos lhe mostravam. Como a cidade parecia diferente depois de todo esse tempo em que passara trancafiado em uma cela suja, úmida, cheirando a urina de ratos, completamente desconfortável.
Muitos novos arranha-céus tinham sido erguidos, muito mais carros havia transitando pelas ruas e avenidas e muito mais pessoas caminhando, fumando, falando ao celular.
O que para nós é um desconforto
, uma poluição sonora, para Martin, soava como música, desde o ruído dos carros até o ensurdecedor barulho da britadeira que um homem operava logo adiante.
Mas durante esse quase infindável tempo que passou enjaulado, uma coisa ficara martelando incessantemente dia após dia, noite após noite em sua cabeça: quem seria o responsável por sua injusta prisão. Injusta, sim, era assim que Martin se considerava. Um inocente, pego por uma armadilha muito bem planejada de alguém que ele pensava poder confiar. Alguém que fosse muito próximo a ele, que tivesse acesso aos seus mais profundos pensamentos, seus mais ardentes desejos.
Mas quem seria? Martin não conseguia lembrar de ninguém que pudesse fazer esse tipo de coisa à ele. Pior ainda: ele não conseguia lembrar de ninguém mesmo. Como se estivesse sofrendo de uma amnésia profunda que, praticamente dilacerava sua cabeça com dores agudas, penetrantes que, afetavam diretamente seu consciente e seu subconsciente...


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